TEMPO QUE CONSTRÓI O TEMPLO
I
O tempo constrói o Templo;
Se sobre a areia
O vento rui a obra;
Se sobre a rocha
A força molda a beleza
Que, com destreza,
“desassopra” o vento.
II
O amigo se torna irmão,
Que dá a mão e edifica a Obra;
Auxilia a ofuscar as Trevas,
Com a junção de suas limitadas luzes,
Que rompe a inércia, na Iniciação do Ser.
III
Apreende com o Simples,
Formula com o Tempo o complexo viver;
Deixa, ao percorrer a estrada, sua marca;
Trabalha, descansa, torna a trabalhar;
Relata sua história.
IV
Traz a vontade de mudar e melhorar,
Amar e ser amado;
Revolta-se, às vezes, por não conseguir a contento,
E, como o vento, retorna ao Mundo,
Vai-e-vem, confrontando a si e a todos.
V
Percebe que esta busca é inútil,
Que um tanto fútil,
Deixa de ser importante e,
Cansado da procura, retorna,
À procura da essência no seu próprio Ser.
VI
Sorri, chora, lamenta;
Briga, arrepende e continua.
Já sem esperança, encontra onde jamais procurou;
Bem perto. No seu próximo, lá está;
Amadurece e cresce.
VII
Conhece então a bondade
Invadida com a ternura;
Vê no simples as respostas e, chora.
Chora diante de tamanha alegria, por Ser;
Ser único, mesmo com muitos à sua volta.
VIII
Descobre então:
Um Ser que é amado, mesmo sendo um bruto;
Um Ser que é normal, mesmo sendo diferente.
Alguém que não mais precisa do Ter para Ser;
O seu Templo agora, de verdade, se constrói e,
Dificilmente, se corrói.
IX
Vê de fato o mundo,
Já enxerga o caminho,
Sente o cheiro das flores,
Ouve os pássaros ao amanhecer,
Toca o esplendor do nascer do sol, e
Compreende a vida.
X
Um Ser que brilha, que compreende, que ama,
Ao som da música e do encanto de viver.
Que com o Tempo
Levantou seu Templo;
Que nunca mais irá ao Vento, pois,
Na rocha, edificou seu Ser.