SER MAÇOM
Alguns irmãos têm a maçonaria em si; outros são a maçonaria.
A diferença está em que um pode ser passageiro,
o outro está no íntimo, eterno e definitivo.
Há alguns que se iniciam, passam longos anos,
sobem diversos degraus na escada de Jacó,
mas um dia, ao olhar para trás, veem que os degraus não os elevaram.
Passaram pelos conhecimentos, mas não os vivenciaram.
A verdade é que muitos são chamados,
mas poucos resolvem ser realmente maçons.
Ter a maçonaria em sua vida preenche parte do nosso tempo:
conviver com novos amigos, festas, ágapes e aumentos de salário, exaltando a vaidade.
Ser maçom é mais do que tudo isto.
Há muito tempo se diz que sabedoria não se resume a adquirir conhecimentos,
mas a praticar tudo aquilo de bom que se aprende.
Ser maçom é buscar na água a pureza,
é sentir o vento levar.
Ser maçom é ter prazer.
É acordar no dia da sessão e lembrar: hoje tenho loja.
É passar o dia se preparando,
é estar de corpo e alma presente em loja,
é sentir o calor dos irmãos em loja e participar da construção do templo.
Templo de virtudes, templo interior.
É contemplar a natureza, as plantas, as flores no jardim.
Sentir o fogo amigo.
É ser amigo, mesmo tendo alguns que não nos consideram, pela livre diferença de pensar.
Ser maçom é "combater o despotismo, as tiranias, os preconceitos, as injustiças, a ignorância e os erros";
"promover o triunfo da verdade, da igualdade e da justiça";
"pugnar pela evolução do homem,
o bem-estar da pátria e da humanidade,
levantando templos à virtude e cavando masmorras ao vício".
É olhar para a pátria e sentir o orgulho de ser brasileiro,
mas também ser humano.
Honrar pela terra, pelo ar e pela água;
zelar pelas matas, pela conservação do planeta e pelos animais.
Ser maçom é ser ecologista, engenheiro, enfermeiro, arquiteto, profissional liberal, médico, advogado, pedreiro ou servente.
Conhecer a ti mesmo, sendo um mestre com caráter de aprendiz.
Mesmo valendo a máxima de sermos eternos aprendizes,
não deixar para a eternidade o momento de aprender — qual seja, praticar.
Se a filosofia, a ciência e a religião se unirem,
poderíamos ter, por fim, a definição de ser maçom.
Poderia discorrer aqui mil argumentos de como ser maçom;
porém, se em apenas um destes conceitos
eu pudesse seguir, certamente estaria no caminho certo,
contribuindo com a nossa ordem.
Ser maçom é ter compromisso com a ordem;
ser maçom é ter direitos e deveres;
é conhecer suas leis;
buscar incansavelmente aprender;
caminhar, passo a passo, no caminho do bem.
Buscar nas letras o registro do saber.
Encontrar na música a melodia do conhecimento e da sabedoria.
Caminhar lado a lado com a humildade,
prestando ajuda a todos que por ti passam.
É caminhar passo a passo,
buscando, através do caminhar, um degrau a subir.
É ungir de luzes de pureza os corações dos irmãos e expandir os seres;
é encontrar a si próprio — é um eterno perseguidor de si mesmo.
Ser maçom é ser tudo isto.
Mas, acima de tudo, é ser o que há muito tempo já é — eterno.
É ter o direito de pensar diferente,
mesmo sendo iguais e seguindo os mesmos princípios.
É compartilhar e aprender com as nossas diferenças;
é oportunizar ao próximo o seu crescimento,
respeitando seus limites.
Morrer pela pátria, se necessário,
mesmo que a pátria não esteja disposta a se dar por nós.
Acolher o irmão e colher juntos os frutos do aprendizado comum.
Chorar quando algum dos irmãos chora.
Sorrir quando todos sorrirem.
Motivar, mesmo que alguns te levem para baixo,
pois ainda não sentiram o prazer e a sabedoria de se motivar.
Ser maçom é chegar ao final;
é isolar o seu ser,
lançando-se dentro de si mesmo,
aproximando-se do GADU.
Ser maçom é olhar para trás
e poder contemplar cada degrau vivido,
compartilhado com verdadeiros irmãos, e dizer:
obrigado por ter sido maçom.