Os Maçons e a metáfora da poça d’água - Diferentes maçons
Certa feita apareceu na entrada do Templo uma poça d’água.
A maioria dos irmãos, ao adentrarem ao templo, passavam pela poça, uns desviando-se, transparecendo que aquilo não era problema deles, outros nem sequer percebiam, e acabavam pisoteando-a e espalhando sujeira no templo e nas suas mentes, reclamando da responsabilidade de alguém ou do “Arquiteto”[1] por não ter visto aquilo.
Nas sessões seguintes repetia-se a situação até que alguém, talvez o Arquiteto mesmo, pelas reclamações e incômodos, passou a limpar a poça com panos antes da sessão. Problema resolvido. Será?
Eis que surge aquele que consegue tomar uma atitude, junto com sua decisão de limpar, olhar para cima(gosto muito deste gesto) e perceber que ali existe uma falha, uma goteira e, com dedicação e esforço pessoal, consegue resolver por definitivo o problema.
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Assim somos nós nas sessões. Uns, por não dizer a maioria, saem como entram: alienados, indiferentes, ora reclamam, ora nem tanto; procuram culpados, tem pressa. Passam ao lado da poça ou pisam sobre ela e seguem em frente. Estão mais preocupados com as questões do plano físico do que com as questões morais e espirituais do ser. Não conseguem perceber a luz que pode existir fora do seu mundo. Ainda estão presos como no “mito da caverna”[2] numa rotina, que tira sua percepção do que pode existir além das fronteiras do seu conhecimento atual. É mais fácil continuar preso nas coisas materiais do que ir em busca de novos horizontes, indefinidos, inexplorados, que saia da rotina e que, num primeiro momento, possam causar desconforto e até mesmo medo do desconhecido.
[1] Arquiteto: Cargo encarregado da conservação, decoração e ornamentação da Loja propriamente dito, da limpeza dos móveis, das alfaias e demais utensílios da Loja. Sua principal obrigação é preparar e ornar o Templo de acordo com o Grau da Sessão em que os trabalhos serão realizados.
[2] A alegoria da caverna, também conhecida como parábola da caverna, mito da caverna ou prisioneiros da caverna, é uma alegoria de intenção filósofo-pedagógica, escrita pelo filósofo grego Platão.
Esquecem que as verdadeiras causas das nossas misérias não estão no plano físico, mas, sempre estiveram e estarão na miséria psicológica, moral e espiritual e, ficando apenas neste plano, jamais percebem as medidas concretas para os seus verdadeiros problemas e dos demais. “Só um ingênuo ou o tolo acha que as causas das misérias estão no plano físico”.
Alguns poucos, (como o Arquiteto) até buscam fazer algo para si e para os demais, mas, de maneira superficial, de forma difusa, sem propósito concreto, duradouro, talvez pela falta de conhecimento ou por ainda não entender os verdadeiros propósitos da maçonaria. Aprendem pouco, mas, chegam a fazer algo. Suas ações ainda estão no campo físico com soluções paliativas, não definitivas para o Ser e para os demais que o cerca. A origem dos problemas que se tenta resolver, as vezes nem são individuais, mas, um elemento cultural de um determinado momento histórico que está sendo assimilado e causando determinada situação de desconforto ou dor. Nestes casos, geram desajustes que podem se tomar uma questão pessoal e, na maioria das vezes, não o é.
E tem aqueles que de fato compreendem que precisam ir mais fundo. Tomam a iniciativa de buscar a verdadeira solução através do esforço pessoal e estudo dos princípios maçônicos. Olham para cima (boa esta…) no sentido esotérico e enxergam a si próprio como um pequeno que precisa crescer, deixar de ser um “Eterno Aprendiz” para ser um “Transformador” e promover a verdadeira mudança em si próprio e no mundo. Desenvolver intelectualmente, culturalmente e por todos os meios possíveis compreender que, de fato, as causas dos nossos problemas estão nas nossas questões psicológicas, na falta do aprimoramento moral e desenvolvimento espiritual. O Maçom deve buscar sempre viver no plano físico, mas, olhando para cima, sair das soluções paliativas e buscar soluções concretas, definitivas que gerem resultados para seu aperfeiçoamento intelectual, cultural, moral e espiritual. Romper a inércia que deixa o homem preso ao plano físico e buscar novas fronteiras do conhecimento. A filosofia maçônica e seus princípios educacionais pode ser um bom caminho.
Não existe, nesta metáfora, quem é o certo ou quem é o errado. Apenas pessoas em estágios diferentes.
Qual deles você se enquadra?