ENTRE SECAS E PRINCÍPIOS
I
No coração ardente do Centro-Oeste,
Cuiabá ferve, o sol sem veste.
O calor que sobe, o chão a rachar,
A terra implora, mas a chuva tarda a chegar.
II
Os ventos trazem o cheiro da fumaça,
Queimadas que devoram o verde com graça.
A natureza grita, sua voz abafada,
Por mãos que destroem, por almas cansadas.
III
Mas na essência do homem, no templo de luz,
Há princípios que a verdade conduz.
Na Maçonaria, o dever é cuidar,
Do solo, do céu, e do que vamos deixar.
IV
Seja como o pedreiro, a pedra lapidar,
O fogo do coração deve sempre amar.
Assim como a terra que pede o alento,
Devemos honrar a vida a cada momento.
V
A fraternidade, nossa guia fiel,
Nos lembra que a vida é um anel.
Tudo conectado, em perfeita harmonia,
O dever do maçom é a luz, sabedoria.
VI
O calor de Cuiabá nos faz refletir,
Que sem cuidado, tudo pode ruir.
E nas cinzas das matas que ardem no chão,
Buscamos no templo a renovação.
VII
Assim, que tua obra seja pura,
E que o compasso trace nova aventura.
Onde o calor não destrua, mas transforma,
E a chuva traga vida em nova forma.
VIII
Que o Maçom, no silêncio da chama,
Reflita sobre a terra que clama.
Pois, mesmo na seca, há esperança no ar,
Nos princípios que juramos sempre honrar.
IX
Todo ano vem fumaça e calor,
Para apreendermos com a dor?
Lapidar a Pedra Bruta, transformar,
Entre Secas e Princípios, nos resta reformar.